“Ouço a chuva a cair lá fora, como se fosse o meu coração a bater quando chove aqui dentro. É uma bela e angélica melodia. Sabe, a imagem de um céu pintado com vários tons de cinza? Árvores com folhas verdes no fundo, e chuva caindo com toda a sua beldade? Parece que ela está num baile, e que eu estou a assistir à sua dança maravilhada.
Há quem não goste nada deste tempo, e que ache que só traz tristeza. Mas eu não acho nem penso assim. Há algo neste mau tempo que me cativa e que me puxa para ele. Se calhar é por o meu interior já ter tido tantos maus tempos, se calhar é por eu ser uma observadora nata das coisas e ver o melhor nelas, se calhar é por ter aprendido a adorar as coisas sem julgá-las. Não sei, só sei que esta melodia e esta imagem estão na minha mente como algo memorável, como uma prenda de Deus.
Este incrível tempo é o meu interior exteriorizado para o mundo. Mesmo sendo terrível a ideia de uma jovem tão nova ter um interior tão chuvoso, é mágico ao mesmo tempo. Porque por vezes temos que mergulhar na água para vir à superfície e finalmente observar o arco-íris.”
13 de junho, 2015. Redbird.