“Após muitas análises, cheguei finalmente a uma conclusão. Chega a um momento da vida em que as pessoas que são intensas demais, não só em relacionamentos amorosos mas também em amizades, acabam por ficar com nada dessa intensidade. Nem amores transbordantes, nem amores rasos, nem amizades transbordantes, nem amizades rasas. Muito menos as feridas ou cicatrizes que, por as pessoas serem tão intensas, acabavam sempre por adquirir depois duma desilusão ou faca nas costas.
Sempre me questionei o porquê de ser eu a sentir tudo demais, de ser eu a sofrer e a levar golpes na minha alma. Nunca soube bem porquê, mas hoje já tenho a noção que as pessoas de verdade são assim. Intensas, com um coração enorme, um mundo dentro da mente e da alma, e um par de cicatrizes e feridas na alma e no corpo. Nem todo o mundo enxerga isso, e continuam a fazer “trinta por uma linha”. E nós? Nós vamos levando a nossa vida, sofrendo, desmaiando, caminhando com os pés cheios de feridas, um coração que já nem coração é, e uma alma desgastada e sem lugar para mais nenhuma cicatriz. De tão desgastados que estamos, nossa intensidade deixa de existir, nossa vontade de viver é zero, e a nossa mente deixa de ter a beleza de antes. Acho que é nesse momento, onde todos os sentimentos se desvanecem e o que sobra é simplesmente um vazio, que, nos transformamos num abismo existencial. Porque esse vazio, é um vazio tão infinito, doloroso e, que nem um sentimento cabe mais dentro de nós por medo de ser sugado para dentro do abismo.
Acho que por maneira a se proteger, a nossa essência se torna num vazio emocional. No fundo todo o mundo se cansa, e por isso, a gente muda e, mudamos para o que a nossa mente acha mais correto e mais acolhedor. Por mais que haja sofrimento na mesma, o vazio é sempre melhor do que ser açoitado por todo o mundo e ter uma dor constante em seu peito.”
Redbird, em conversa com Jadson Lemos.