Em que momento eu me perdi de ti? Em que dia nossos caminhos se desdobraram em direções opostas? E os nossos corações passaram a bater tão distantes um do outro… A memória parece neblina, a mesma neblina na qual tanto me reconheço - em dias especialmente chuvosos não há distinção entre horizonte e mar. A memória escapa muito sutilmente. Como uma maneira delicada de preservação própria. Quero buscar o momento, porém, da partida entre nós. Porque hoje, tão de súbito, me consumiu o corpo às oito horas da manhã uma nostalgia absurda: não havia em mim o sentimento de reconhecimento. Faltava a tua presença. E a ausência me preencheu de saudade e uma felicidade triste e estranha - pela lembrança graciosa de ti, pela mistura complexa de sentimentos. Eu quis te tocar de olhos fechados. De olhos fechados eu sorri com lágrima. Ouvia o cd que me salvou quatro anos atrás. Você estava aqui quatro anos atrás. Penso ter sido o que despertou o oculto. Em que cruzamento engarrafado desta cidade nos demos até mais? Em que momento de troca de pele? De troca de sonhos e paz? Onde foi esquecido o pacto: o perdão, a compaixão, o cuidado?
Não é pela dor.
Nem pelo cansaço.
Mas a gente tem sempre que saber retornar. Reconhecer os caminhos passados. Rever-se. Amar.C.
blues-nocturne gostou disto
imersivel reblogou isto de ceciliando
imersivel gostou disto
linfoma reblogou isto de ceciliando
poesias-de-quinta gostou disto
ceciliando reblogou isto de anjoinverso
olhosumidos reblogou isto de anjoinverso
hipoteticou gostou disto
minhasestranhasepifanias gostou disto