“Hoje faz sete meses desde que estás aí em cima. E sou-te sincera, a dor continua aqui… Tal e qual como falei na carta do teu aniversário. As pessoas falam que temos que seguir em frente, e eu sei, sei que é preciso. Mas é uma dor constante. É um pensamento constante. É uma lembrança constante. É um remoinho dentro de mim constante. Nada me parece bonito agora. Tudo está cinzento, como o tempo de hoje. Acho que sem ti, sem a tua presença na nossa vida em carne e osso, está a dificultar a minha visão para o mundo. Sim, eu aprendi muito com isto. Abri os olhos em relação a muita coisa. Mas a cor desvaneceu-se. E a dor tomou forma, e cor negra. Esforço-me todos os dias para acordar e me levantar. Vestir roupas bonitas e estar o mais apresentável possível. Sorrir e rir. Falar e sair para a escola. Concentrar-me nas aulas e estudar para os testes. (…) Mas a minha vontade, sabes qual é? Sim tu sabes. A minha vontade é ficar a hibernar o dia todo, estar de pijama e quentinha. Levantar-me só para comer, e ir à casa de banho. Mais nada. Porque dormir é a melhor coisa para a dor se amnesiar e as lembranças não esvoaçarem pela minha mente. Mente essa que está desfigurada, rasgada, vazia e só parada no tempo. Tenho plena consciência que não é isso que querias que acontecesse. Só querias e queres que eu esteja bem. E o resto de nós. Mas a nossa dor, a dor de seres uma estrela, está demasiado intensificada, demasiado grande e forte. Para mim, aquele dia Avó, é o dia que mais me marcou. Que mais me machucou. Por mais que eu sempre tenha sido fria nos sentimentos por todos, tu sabes o quanto eu te amava e amo. Desculpa… Estou a chorar, novamente. É difícil falar disto, falar de tudo o que sinto. É como se estivessem a pôr-me a nu. Ou a analisar cada traço meu. Só quero que continues a cuidar de nós, e que saibas o quanto sentimos a tua falta… O quanto eu sinto a tua falta.”
2 de novembro, terceira carta pra nova estrela.
  1. imersivel publicou isto
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