“Se lembra de há um ano atrás? Eu lembro. E melhor do que eu gostaria. Dói ver que você, vocês, e tu estrela, deixaram apenas isso, dor e sofrimento no lugar de vocês. E eu? Tenho que somente suportar esse peso que parece mais um navio completamente lotado de carga? Tenho que erguer minha cabeça porque é suposto não ‘deixar a coroa cair’? Tenho que fingir um sorriso cada vez que me olham? Tenho que camuflar todas as lágrimas, pensamentos, raiva, tristeza, dentro de mim? Tenho que ser forte, porque simplesmente tem que ser? Tenho que calar o grito que o meu coração está à espera para dar? Tenho que manter o meu coração vivo só porque é suposto ser forte? Tenho que… Puta que pariu! Eu sou humana. Tenho sentimentos. E apesar de tentar fazer esse monte de merda todos os dias, claro que eu explodo, claro que eu vou ao chão, claro que eu não aguento. Ninguém é de ferro. Ninguém é 'não humano’. Ou, ups, há monstros que realmente não são humanos. Mas esses mesmo assim não são de ferro. Nem mesmo Deus era, quanto mais!
Por muito tempo que eu tento combater este meu negro ser, este lado meu que esconde o meu melhor lado. A minha suicida. Mas ela é mais forte que sei lá o quê. É quase ou mesmo indestrutível. Também de que vale ser só eu a combatê-lo, se ninguém ao meu redor ajuda? Enfim. Eu tenho que tentar, só mais uma vez. Porque se não for eu, quem vai ser? O zé ninguém, só se for. Porém, recuso-me a demonstrar o contrário do que sinto, o contrário de como estou. Recuso-me. Porque a suicida neste momento, sou eu. E fingir? Não ajuda-me em nada. Terei que pegar no vidro quebrado e reconstituir a minha pele, juntamente com os colapsos do meu interior. Sozinha. E vou mostrar que sou capaz de me levantar como um arranha-céus, e ser feliz, sozinha.”
Skyscraper.
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