imersivel:

Você tomaria a direção
Se eu perdesse o controle?
Se eu me deitasse aqui
Você me levaria para casa?

Você cuidaria
De uma alma quebrada?
Você me abraçaria agora?

Jess Glynne.

corpoesias:

segurei o choro na rua, no supermercado e à mesa do jantar.
agora, a hora de dormir me abraça e o travesseiro sussurra baixinho: pode desabar.

“Não sei como começar esta carta, acho que desta vez não sei o que dizer, sinceramente. Já são três anos que estamos sem ti, que eu estou sem ti, e agora está ela a sofrer e a caminho da tua beira. E, isso está-me a doer. A realidade dói-me, e acaba comigo. O meu coração parte-se sempre que a vejo daquele estado, e só peço a Deus para a poupar porque ela já sofreu tanto. E, peço-te a ti, que olhes por ela, e cuides dela. Porque, neste momento já não podemos fazer grande coisa por ela além de estar lá ao pé dela. 
Está tudo a desmoronar, de novo, e eu não sei o que fazer. Estou às aranhas, porque eu sei, eu sei que vou desabar junto com tudo. Vou voltar à escuridão, e ninguém vai perceber. Eu preciso de ti, e dela, eu preciso de vocês. E, no fundo, nem uma nem outra tenho. Sinto-me como um farrapo. Mas, no fundo, sempre me senti assim, só que hoje, sinto a quadruplicar.
O meu coração está-se a partir, a ser esmurrado, a ser cortado e torturado, e eu não consigo nem sequer pensar direito como podes ver através desta carta. Estou sem reação, sem conseguir entender, sem conseguir descansar, sem conseguir nada. Só, dói. E, muito.”
Quinta carta pra nova estrela, Redbird. 
“A saudade aperta, e lágrimas rolam pela face.”
November, 1997. 

Crónica sobre Vazio II

imersivel:

Eu me decepciono todos os dias, todas horas. Não há um momento em que não pense no que se vai suceder a seguir, é como estar fisicamente num lugar mas mentalmente noutro, porém neste caso estou no presente e simultaneamente no futuro. Você não vai compreender, não é mesmo? Você somente lê isso porque está passando na dash, porém quantas pessoas vão sentir o mesmo ou sentem o mesmo que eu? Esta dor que lateja, lateja e lateja. Que todo o mundo quer ver, tocar, e carregar com força para eu me sentir pior. Por mais vazio que você esteja, dor nenhuma vai cessar de doer dentro do seu peito, e as vozes estarão sempre lá para o relembrar o quão inútil você é, e o quão feio(a) é. 

Eu me abro para as pessoas, e elas só sabem infligir cortes e mais cortes em mim, que depois não saram tão rápido como elas se vão da minha vida. Me decepciono com elas, e comigo mesma por deixar isso acontecer, sempre, e mais uma vez. 

Sou um poço de azar.

“- Meu Deus, Rudy…
Inclinou-se, olhou pra seu rosto sem vida, e então beijou a boca de seu melhor amigo, Rudy Steiner, com suavidade e verdade. Ele tinha um gosto poeirento e adocicado. Um gosto de arrependimento à sombra do arvoredo e na penumbra da coleção de ternos do anarquista. Liesel o beijou-o demoradamente, suavemente, e quando se afastou, tocou-lhe a boca com os dedo. Suas mãos estavam trêmulas, seu lábios eram carnudos. Os dentes dos dois se chocaram no mundo demolido da rua Himmel.”
A Menina Que Roubava Livros.

Vontade de sumir.

“Eu fingi, fingi porque não sou forte o suficiente para aguentar isso tudo sem você. Fingi porque eu não sou capaz de amar e no outro dia não me importar mais como muitos fazem. Fingi e fingi por muito tempo, como se tudo isso não passasse apenas de um pesadelo e que eu acordaria bem e feliz. No entanto, alguns pesadelos alojam-se a mim. Infelizmente eu acho que não consigo ser feliz de novo sem você, e é só isso que eu sou desde que você partiu. Sou infeliz.”
Diário do coração de Emily. 
“Meu amor, eu sou sua e sendo sua pertencerei a você eternamente.”
Libertarde.
“Estive a pensar se deveria escrever essa carta para ti. Não sabia se era boa ideia ou não. Mas agora não interessa. Eu preciso que vejas essa carta, e sintas os meus sentimentos como eu os estou a sentir.
Sinto a tua falta. Sinto demais a tua falta. Acho que hoje, esta ferida abriu de novo e está sangrando. Estou chorando passado tanto tempo. Estou sofrendo que nem há dois anos atrás. E, sabes? Eu espero que me estejas a abraçar. Porque eu preciso do teu conforto. Eu preciso de ti. Caramba, eu preciso de ti! Por mais que eu esteja conseguindo superar os obstáculos da minha vida, eu não sei suportar a dor de não te ter aqui. Fisicamente. Eu estou conseguindo, avó. Mas preciso de ti, preciso de ti aqui comigo.
Dói tanto. Dói demasiado, e eu, eu não sei o que fazer. Eu não sei. Tudo está tão à toa. Eu estou à toa. Eu preciso de forças, porque eu já esgotei as minhas.”
Quarta carta pra nova estrela, Redbird.

eu desabei, porque o mundo me embaralha, me embrulha e me joga fora. Porque ser forte o tempo todo me enfraquece, me esgota. “don’t you cry tonight, there’s a heaven above you, baby.” mas é difícil não chorar quando a solidão corrói cada centímetro da sua alma.

“Hoje, às 12:57, fez precisamente 1 mês que partiste, e eu ainda não consigo acreditar. Custa-me olhar pra aquela cadeira onde costumavas estar pra almoçar e jantar, pro sofá onde passavas as tardes, o sofá onde te deitavas antes de ires dormir, pra a cama onde costumavas dormir com o avô; custa-me não ouvir a tua voz, não ouvir a tua gargalhada, não me rir das tuas piadas e das tuas asneiras, não olhar pra os teus olhos cheios de lágrimas, não ouvir as tuas lamurias, … simplesmente me custa não te ter aqui. Quando estou sozinha, parece que tudo me vem à cabeça, e fico ali a remoer e a remoer, e por vezes as lágrimas são mais fortes que eu e escorregam pela minha face. Eu sei, eu sei que agora és uma estrela que estás a olhar pra nós, e igualmente um anjo, mas eu queria-te aqui, nós queríamos-te aqui. Dói-me ver o avô a choramingar por todos os lados e não poder retirar-lhe a dor, dói-me não poder fazer isso a nenhum deles, porque isso ainda aumenta mais a minha dor. É impossível esquecer-me de ti, é impossível evitar lembrar-me de ti quando eu cresci contigo. (…) As palavras sempre serão escasas pra aquilo que eu sentia por ti, e agora sinto com a tua falta. Porque, palavras não refletem a profundidade dos sentimentos. Apenas, sinto a tua falta. E, muito.”
2 de maio, segunda carta pra nova estrela.
“Parece que o universo ta me testando pra ver até onde eu aguento.”
Supernatural. 
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