“O mundo está-se a desvanecer à minha frente. As cores, as formas dos prédios, das casas, das ruas, das cidades, das florestas, de tudo. Tudo está desmoronando, desvanecendo aos meus olhos. E, tudo dentro de mim está colapsando de igual modo. Sinto a minha dor a engolir-me, a engolir tudo dentro de mim. Como um grande buraco negro. Eu tentei, juro que tentei, tentei melhorar, tentei não ser engolida pelo que sinto, só que às vezes as coisas são maiores que nós, e, que a nossa vontade. O reflexo que eu vejo no espelho, eu não reconheço. É uma cara pálida, sem expressão. Com olheiras profundas, e uns olhos vermelhos e sem brilho. Uma alma rasgada, quebrada, sem motivação para sobreviver. Juntamente com um corpo frágil, que luta para sobreviver, para aguentar mais uns pontapés da vida, mas que já fraqueja. Ele não é de ferro, e eu também não. As minhas forças esgotaram-se, e eu não sei se amanhã verei um novo amanhecer ou se irei ver somente escuridão.”
Who cares if one more light goes out?
“Vó, mais um ano se passou e já é dia mundial dos avós de novo. Meu coração está partido, por não estares aqui, por ela estar tão mal que me rasga a alma não puder ficar com o sofrimento dela. A minha vida está uma bagunça, para variar, e eu choro quando penso como o tempo passa e já não te posso mais abraçar. As saudades são enormes, e já não cabem mais cá dentro. Já não consigo suportar as lágrimas como antes, não consigo mais suportar pensar em tudo, pensar que não vos posso abraçar, que o tempo não volta atrás e, eu estou aqui, de coração estilhaçado no chão, e a alma rasgada. Fico me perguntando porquê, porquê que tinha que ser tudo assim, porquê que Deus me deu uma bagagem tão triste, e tão pesada para carregar, se eu sou tão pequenina? Se eu sou tão frágil? Sei que, Deus só dá pesos assim a pessoas que Ele sabe que conseguem ultrapassar, que conseguem sobreviver e viver apesar de tudo, eu sei disso, mas às vezes era desnecessário me dar tantos obstáculos e tantas dores. Eu estou a começar a ficar cansada, realmente cansada. Vó, o que eu faço? O que eu faço, quando já não consigo mais ser forte? O que eu faço se eu sinto tanto a tua falta, e preciso de ti, e dela?”
Sexta carta pra nova estrela, Redbird.
“28 de Abril de 2015,
Para muitos essa data não significa nada além de mais um dia banal, que passou. Para outros, foi o seu 18° aniversário, ou o dia mais feliz de suas vidas, ou o dia mais triste. Esse dia pode ter muitos significados, muitas emoções envolvidas, mas para mim, tem um significado muito importante: minha segunda oportunidade nessa vida. Porque conheci você, Douglas. Um menino com seu próprio caos, sua própria tempestade, porém com uma personalidade tão diferente e marcante. Que cativa qualquer pessoa com sua sabedoria, sua gentileza, sua honestidade, a sua doçura! Você se mostrou um homem maduro, com um grande coração, com uma sensibilidade igual à minha. Um interior tão vasto, tão maravilhoso e único, com marcas e abismos profundos que mesmo assim continham flores a brotar. E, apesar de todas as suas suspeitas, e desconfianças, sempre acreditava (e acredita) na humanidade e na sua bondade.
Eu admiro você, cada dia mais. Porque você tem uma montanha de problemas, sempre teve, e mesmo assim continua caminhando. Continua dando passos firmes, apesar das suas dúvidas e tempestades emocionais o quererem parar. E, sinceramente? Deus não poderia ter escolhido melhor pessoa para entrar na minha vida, num momento tão delicado e tão difícil para mim. Num momento em que eu poderia ter acabado com tudo, e simplesmente deixar minha dor partir. Você é um dos motivos porque eu ainda estou viva. Você me salvou, Douglas. E, eu agradeço a você por isso, por ter conhecido essa alma tão problemática e mesmo assim ter compreendido, me ter dado sua mão apesar dos milhares de quilómetros que nos separam e, não me ter julgado como todo o mundo. Por ter simplesmente ficado, e me ter ajudado. Eu amo você, e nada vai mudar isso.”
Redbird para Excessivos.
escrevo poesia
com retalhos do meu coração
e da minha alma,
com sangue nos dedos,
lágrimas nos olhos
e, tormentos na minha mente.
somente escrevo,
porque a tempestade está jorrando de mim,
e eu não sei onde a colocar
além do papel.
redbird.
há muito que eu enxergo a vida a preto e branco,
como se dum filme vintage se tratasse.
e quando escuto coisas que me atingem no coração
(assim como uma espada verdadeira estivesse
a jorrar a vida de mim)
parece que o mundo fica completamente negro,
enxergo a minha vida numa completa escuridão.
perco todas as esperanças num mundo melhor,
ou numa vida melhor,
sempre que uma pessoa que eu amo
me machuca, de novo e de novo.
como podemos confiar em alguém
quando até as pessoas mais próximas
nos ferem deliberadamente?
somos todos humanos,
e erramos,
mas no fundo,
o mundo se habituou a não dar valor,
a menosprezar quem ama, e cuida,
e fica apesar de todas as adversidades.
e, o mundo para mim,
só tem cor, forma, e resquícios de esperança,
quando você amor, chega e me abraça.
então não demora,
porque eu preciso do seu abraço.
redbird.
3:21 am, crónica sobre vazio III
A insónia me pegou de surpresa, e mais uma vez eu me deixei levar por ela. Há pensamentos levantando voo, fazendo meu corpo dolorido estremecer. Por dentro, eu sou feita de hematomas. E, no silêncio da noite eu me torno em barulho, em tempestade, em explosão. Mas, eu sou alguém que passa entre os chuviscos da chuva, em que ninguém dá por mim. Nem mesmo quando minha alma grita por paz.
O mundo cobra tanto uns dos outros, mas não enxergam quando alguém está sofrendo, está gritando de desespero. Não vêm a dor do outro, além das suas próprias necessidades. Eu tento cuidar de mim, não acolher muito as dores de outrem, porque apesar da minha bondade e gentilidade, sempre me ferro. Porque sempre tenho algo que as pessoas querem no momento, mas não chegam sequer a ponderar que talvez, mas só talvez, estão ferindo alguém no processo de serem egoístas. Eu sou útil como saco-pancada ou band-aid, não para pertencer à vida de alguém. E, isso me dói. Me mata.
Acho que fui feita detalhadamente para ser assim. E, no final do dia, recorrer ao silêncio da noite para desmanchar minha alma, e costurá-la de novo.
“Até onde devemos insistir no que sentimos por alguém? Tudo tem um limite. Não vale a pena ficar sofrendo, correndo atrás, implorando ou rastejando por alguém que não está dando a mínima por você. Afinal que tipo de amor é esse que te faz sentir mal e triste ou invés de feliz e amada? Me diz, até onde vale a pena se sacrificar por alguém que não te dá valor? Ele pode até te tratar bem e te fazer sentir especial, mas no fundo, ele só deseja algo de você, ou está brigado com a namorada. Porque depois, ele corre para os braços dela no fim da noite. Ele diz tudo aquilo que você quer ouvir e sentir que é verdade. E, você? Você fica na banheira da sua casa, chorando, berrando, se perguntando o que ela tem que você não tem. O carinha pode ser o mais cafajeste, mas é por ele que vai correr atrás e insistir. E o outro que é o “certinho” não tem a menor chance contigo, afinal, ele presta, por isso ele não vale a pena insistir. Mas vamos por na ponta lápis… Se o carinha que presta não recebe o valor da garota que gosta, pois ela só dá valor ao que não presta, o mais sensato seria deixá-la de lado, e, um dia ele encontrará uma mulher que lhe dará o valor que merece. Mas não é assim que acontece. O carinha acaba se deixando levar e vira cafajeste, isso também acontece com a mocinha que não recebe o valor do “crush”. E, assim começa um ciclo vicioso de pessoas sofridas que magoam uns aos outros. Então, até onde vale a pena insistir por alguém?”
Imersivel na companhia de Reajustado.
“O sol está raiando de novo, mostrando ao mundo que é um novo dia. Mas será que é? Será que para o mundo é um novo dia, ou é só mais um dia? Será que esse novo dia, é bom ou a mesma escrotidão de sempre? Para mim não é um bom dia, não é uma boa semana, nem um bom mês. É tudo péssimo, porque a minha vida é péssima. Só encontro dor, e mais dor, e mais dor. E, sabe o que é pior? Não saber exatamente quando isso começou. Quando é que a minha vida começou a afundar, e a inundar-me de desilusões, coração quebrado, dor, sofrimento, ingratidão, abandono, solidão (…). É verdade, não podemos deixar esses sentimentos negativos toldar os positivos. Mas por vezes se torna complicado não olhar só para os negativos. Porque é mais disso que existe, do que coisas positivas. E, é nestes momentos, que eu te enxergo, te vejo do meu lado, a segurar a minha mão. “Vai ficar tudo bem, eu estou aqui agora.”, eu acredito em você por uns momentos, mas depois quando eu estiver sozinha, no escuro do meu quarto? Eu vou chorar, desabar, e gritar para a noite. Porque a dor é maior. E ela me enfraquece.”
Redbird.
“Não sei como começar esta carta, acho que desta vez não sei o que dizer, sinceramente. Já são três anos que estamos sem ti, que eu estou sem ti, e agora está ela a sofrer e a caminho da tua beira. E, isso está-me a doer. A realidade dói-me, e acaba comigo. O meu coração parte-se sempre que a vejo daquele estado, e só peço a Deus para a poupar porque ela já sofreu tanto. E, peço-te a ti, que olhes por ela, e cuides dela. Porque, neste momento já não podemos fazer grande coisa por ela além de estar lá ao pé dela.
Está tudo a desmoronar, de novo, e eu não sei o que fazer. Estou às aranhas, porque eu sei, eu sei que vou desabar junto com tudo. Vou voltar à escuridão, e ninguém vai perceber. Eu preciso de ti, e dela, eu preciso de vocês. E, no fundo, nem uma nem outra tenho. Sinto-me como um farrapo. Mas, no fundo, sempre me senti assim, só que hoje, sinto a quadruplicar.
O meu coração está-se a partir, a ser esmurrado, a ser cortado e torturado, e eu não consigo nem sequer pensar direito como podes ver através desta carta. Estou sem reação, sem conseguir entender, sem conseguir descansar, sem conseguir nada. Só, dói. E, muito.”
Quinta carta pra nova estrela, Redbird.
Crónica sobre Vazio II
Eu me decepciono todos os dias, todas horas. Não há um momento em que não pense no que se vai suceder a seguir, é como estar fisicamente num lugar mas mentalmente noutro, porém neste caso estou no presente e simultaneamente no futuro. Você não vai compreender, não é mesmo? Você somente lê isso porque está passando na dash, porém quantas pessoas vão sentir o mesmo ou sentem o mesmo que eu? Esta dor que lateja, lateja e lateja. Que todo o mundo quer ver, tocar, e carregar com força para eu me sentir pior. Por mais vazio que você esteja, dor nenhuma vai cessar de doer dentro do seu peito, e as vozes estarão sempre lá para o relembrar o quão inútil você é, e o quão feio(a) é.
Eu me abro para as pessoas, e elas só sabem infligir cortes e mais cortes em mim, que depois não saram tão rápido como elas se vão da minha vida. Me decepciono com elas, e comigo mesma por deixar isso acontecer, sempre, e mais uma vez.
“Eu me sinto insegura, incapaz, de fazer você feliz apesar de você afirmar que já o faço. Porque, como você sabe, eu estou morta mas ainda respirando. Meus espinhos estão à superfície da minha pele, minha tempestade está à superfície do meu coração, minha guerra interior está à superfície do meu exterior. E isso, pode causar grandes danos, não só em você, mas também em mim. Nunca me perdoaria se o magoasse, eu o amo de verdade. Amo com tudo o que tenho, e com tudo o que não tenho. Amo sem saber como demonstrar ou explicar. Amo simplesmente.
Você me acalma, acalma esse emaranhado de sentimentos e confusões emocionais. Basta sorrir para mim, basta me abraçar, basta me dizer que me ama. Você é a minha calmaria. Porém até quando você vai conseguir me manter calma? A mim e aos meus sentimentos? Até quando vai conseguir dominar meus espinhos e tocar minha pele? Até quando vai conseguir sobrepor-se à minha tempestade e transforma-la em primavera? Até quando vai conseguir manter a paz interior e, exterior e poder enraizar-se em mim? Até quando?
Eu sei que sou confusa, bipolar, e meia neurótica, mas meu bem, eu só tenho receio do caos e dano que lhe posso causar. Porque eu sou o caos, o erro, o dano. E, infligir isso a você me rasga o coração.”
Redbird.
“Olho para o meu reflexo e não me reconheço mais naquela figura reflectida no espelho. Acho que o tempo afinal não cura nada, além de amenizar. E, eu continuo a ser uma estranha para mim própria, onde a dor é a principal moradora.
O fundo do poço já não está tão longe assim como há uns meses atrás. Está cada vez mais perto, e eu não vejo saída. Só enxergo escuridão, a doce e acolhedora escuridão. Diga-me, o que eu faço quando a única coisa que eu quero é desaparecer desse mundo? O que eu faço quando tudo à minha volta está a desmoronar, e eu não consigo evitar ir junto? O que eu posso fazer para sair deste abismo que me come mais a cada dia que passa? Diga-me, porque eu já não sei mais o que fazer.”
Redbird.
“Eu quero jogar você na minha cama, e puder deitar em cima de você. Quero morder seu lábio inferior e sussurrar no seu ouvido. Quero dormir no seu peito, e deixar a melodia do seu coração me embalar. Quero acordar com um beijo seu e receber um “bom dia” de você. Quero contemplar os seus olhos, e o seu sorriso. Quero abraçar você e puder sentir seu toque. Quero olhar no céu juntamente com você. Quero respirar a sua fragrância e entranhá-la em mim. Quero viver do seu lado, e nunca mais soltar sua mão.
Quero deixar a electricidade dos nossos corpos percorrerem cada centímetro do quarto. Quero percorrer quilómetros com você e vivenciar novas aventuras do seu lado. Quero fazer você sorrir e rir alto, e gravar na memória seu sorriso e o som do seu riso.
Eu quero você aqui comigo. Do meu lado. E gritar bem alto que é aqui onde você pertence.”
Redbird.
Eu quero sentir seus braços de volta de mim. Quero sentir suas mãos apertando minhas costas. Quero sentir o toque da sua pele na minha. Quero sentir sua respiração na curva do meu pescoço. Quero sentir seu coração perto do meu. Quero ouvir seu coração a bater. Quero ouvir sua voz e deixar que ela me arrepie. Quero sentir seus dedos percorrendo a linha da minha coluna. Quero sentir a quentura do seu abraço. Quero sentir o calor dos seus olhos. Quero colar o meu sorriso no seu. Quero olha-lo enquanto dorme profundamente. Quero sentir seu amor. Quero simplesmente estar com você. E sentir tudo de bom que você pode me oferecer. Quero conhecer também seu lado ruim. E, ama-lo ainda mais por isso. Eu quero ver você como você realmente é, quero apreciar sua alma nua. E, agradecer todas as noites pelo bem danado que você faz na minha vida, no meu ser, na minha alma.
Redbird.
“Estive a pensar se deveria escrever essa carta para ti. Não sabia se era boa ideia ou não. Mas agora não interessa. Eu preciso que vejas essa carta, e sintas os meus sentimentos como eu os estou a sentir.
Sinto a tua falta. Sinto demais a tua falta. Acho que hoje, esta ferida abriu de novo e está sangrando. Estou chorando passado tanto tempo. Estou sofrendo que nem há dois anos atrás. E, sabes? Eu espero que me estejas a abraçar. Porque eu preciso do teu conforto. Eu preciso de ti. Caramba, eu preciso de ti! Por mais que eu esteja conseguindo superar os obstáculos da minha vida, eu não sei suportar a dor de não te ter aqui. Fisicamente. Eu estou conseguindo, avó. Mas preciso de ti, preciso de ti aqui comigo.
Dói tanto. Dói demasiado, e eu, eu não sei o que fazer. Eu não sei. Tudo está tão à toa. Eu estou à toa. Eu preciso de forças, porque eu já esgotei as minhas.”
Quarta carta pra nova estrela, Redbird.